Guia para Gestores de Escolas

Foco no aluno, não no conteúdo, na metodologia e na tecnologia!

Enquanto nossas crianças e jovens acessam conteúdo digital 24 horas por dia, utilizam tecnologia com maior simplicidade e precisam de orientação para dar significado ao seu aprendizado, temos desperdiçado os últimos anos discutindo constantemente uma proposta de modelo educacional contextualizado, significativo, com metodologias adequadas a aprendizado em grupo, individual e aplicado. No entanto, o foco está, mais uma vez, errado. O passado nos transformou em educadores conteudistas, o presente se propõe a nos transformar em educadores de metodologia e o futuro tende a nos propor sermos educadores de recursos tecnológicos.

Em nenhum destes tempos atentamos a o quê deveria tomar a nossa atenção, para quem e quais as características deste quem. Em um processo de comunicação, antes de escolhermos o meio, a forma de transmitir, o protocolo ensina que devemos entender quem é o receptor e quais as suas características. De que adianta escrever a mensagem, se o receptor não sabe ler? De que adianta gravar um áudio para alguém que não ouve ou que não conhece a sua linguagem?

Assim, desenvolver um sistema de ensino sem ter como elemento principal o aluno e as suas características é elaborar um projeto fadado ao insucesso da evasão, da falta de motivação e do desinteresse! Em um momento histórico da civilização mundial, onde as transformações sociais, tecnológicas, de perfil de cidadão ocorrem tão rapidamente, não é saudável pensar em um modelo de ensino com qualquer denominação como presencial, EaD ou híbrido sem que se defina, verdadeiramente, o perfil do estudante que será atendido. Uma discussão que traz somente variáveis de custo, de tecnologias, de metodologias e deixa de lado o perfil do estudante e suas principais características de aprendizado não vai levar ao objetivo do aprendizado significativo, que se acumula, que se impregna no ser e serve de alicerce para novos aprendizados

A discussão proposta atualmente é uma vez mais muito superficial, preocupada com os efeitos decorrentes de uma nova realidade econômica, enquanto os padrões e patamares de discussão não se aprofundam a ponto de avaliar como as gerações são diferentes entre si e, cada vez mais rapidamente, apresentam diferenças significativas de perfis, na sua forma de se relacionar com tecnologias, que envolvem a Educação à Distância e como aprendem efetivamente.

Nos últimos oitenta anos, desde 1940 até os dias de hoje temos, ao menos, cinco gerações identificadas neste período, desde os chamados Ibaby boomers, nascidos após a II Guerra Mundial até a metade da década de 1960, até o que chama de geração Alpha, os nascidos após 2010, passando pelas gerações X (nascidos de 1960 até 1980) Y (nascidos 1980 até 1995) e Z (nascidos 1996 e 2010).

Por isso, a discussão de modelos educacionais a partir do conteúdo, a partir da modalidade de ensino, a partir dos recursos tecnológicos se esvai, pois não considera os diversos modelos de pensamento, de organização mental das gerações para as quais estes sistemas e modelos educacionais deveriam ter sido pensados. Os modelos de aprendizagem e as realidades das gerações nos aspectos emocionais e intelectuais deveriam ser os primeiros fatores de decisão nas escolhas das metodologias que compõem os projetos pedagógicos.

Os indicadores de evasão dos cursos de graduação à distância mostram que o caminho escolhido ainda está longe de ser o correto e a falta de discussão científica, pedagógica, neurológica do aprendizado indica que estamos longe de atingir uma proposta que identifique o perfil do aluno e se adequem às reais necessidades e desejos de cada grupo.

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