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Gerenciar os tempos da aula: O sonho, o plano e a realidade conflituosa

Em 13 set, 2017
Colunas e Opiniões

*Por Miriam Guimarães

Um “mistério” vivido por todo professor: por que o planejamento funciona no papel, mas o dia a dia o engole e sempre falta tempo no fim do ano?

CONTEÚDO BENCHMARK NACIONAL

Planejamento e realidade foram feitos para caminharem juntos, mas frequentemente o tempo segue como um cavalo em disparada e o professor vai correndo atrás com seu planejamento. Passa o ano tentando replanejar as atividades para cumprir com o que é necessário.

O plano no papel versa sobre objetivos, temas e estratégias de ensino, mas nem sempre prevê as muitas horas que serão despendidas em outras tarefas, essenciais para que a aprendizagem ocorra. O preparo do grupo de alunos para o processo pedagógico leva tempo. Por exemplo: muitos professores observam que perdem um tempo considerável para organizar sua sala e retomar a aprendizagem quando eles voltam do recreio, educação física, ou outras atividades com situações a serem resolvidas. É frequente que alunos tenham se envolvido em conflitos, tenham brigas ou estejam tão eufóricos que o professor precise de muitos recursos para colocar a turma atenta e prosseguir a jornada planejada. A sensação de perda de tempo é inevitável e a frustração toma conta.

Isso é tão sério que um estudo recente publicado pelo Banco Mundial, em 2015 aponta que os professores brasileiros gastam 30% do tempo de aula com a organização e preparação da turma para a aprendizagem. Esse número está muito acima dos 15% esperados e considerados razoáveis. Por que tanta dificuldade de acomodar os alunos?

Na categoria organização da sala de aula, conta-se o tempo utilizado na gestão das relações entre os alunos e desses com o professor. Esse é um fator que depende da habilidade de mediação de conflitos e de gestão de grupos que o professor tem – ou não.

Cada conflito é uma interrupção ao processo pedagógico, pois desvia a atenção do grupo e impede o avanço dos trabalhos. Forma-se um ciclo repetitivo e cansativo de interrupções e retomadas.

Saber organizar o grupo e agilmente mediar situações para retomar a aula requer formação.

Isso foi comprovado no estudo, com um alerta para o desperdício de tempo e a consequência que essa perda de tempo traz para os resultados acadêmicos.

A formação dos docentes nas universidades ainda não contempla esses conhecimentos, o que leva à necessidade de formação continuada em técnicas de gerenciamento de grupos e mediação de conflitos. Escolas podem analisar a sua realidade e buscar apoio para aprimoramento de seus professores nessa área, nos muitos cursos disponíveis, nos quais se aprende algumas medidas eficazes para a sala de aula, como a que algumas escolas empregam:

  • Estabelecer um tempo formal na semana para discussão de alguma situação de dificuldade.
  • Criar um espaço para registro das situações conflituosas pelos alunos, para discussão posterior.
  • Estimular diálogos onde se fale sobre os sentimentos experimentados nas situações de dificuldades.

Com essas ações, os alunos podem aprender a esperar para conversar no momento definido, dando vazão às suas necessidades ao escreverem suas queixas. Também conseguem desenvolver empatia ao perceberem seus sentimentos e os dos colegas.

Existe um conjunto de práticas exitosas que pode ajudar o professor a melhorar o ritmo de aula e a prontidão dos alunos e, com isso, aumentar o ganho acadêmico e social para todos, além de manter um ambiente muito mais agradável para a aprender. Quem não quer?

Miriam Guimarães é coordenadora de equipe de psicólogos e pedagogos da Associação pela Saúde Emocional de Crianças (ASEC) atuando em formação de professores para a Educação Emocional nas escolas e desenvolve treinamentos na área de educação emocional. É Consultora em metodologias de desenvolvimento de habilidades emocionais e sociais para crianças para a Metodologia Internacional de Educação Emocional – Programa Amigos do Zippy. Professora, com licenciatura em Ciências Biológicas pelo Instituto de Biociências da USP. Mestre em Psicologia da Educação pela Faculdade de Educação da USP. Consultora e Palestrante atuando nas áreas de Educação Emocional, Desenvolvimento de habilidades e competências, Heterogeneidade na sala de aula, Resolução de conflitos, Bullying e Formação docente. É Professora e Coordenadora no Colégio Dante Alighieri, São Paulo.www.az.org.br

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    Mirian Guimaraes

    Coordenadora de equipe de psicólogos e pedagogos da Associação pela Saúde Emocional de Crianças (ASEC) atuando em formação de professores para a Educação Emocional nas escolas e desenvolve treinamentos na área de educação emocional. É Consultora em metodologias de desenvolvimento de habilidades emocionais e sociais para crianças para a Metodologia Internacional de Educação Emocional – Programa Amigos do Zippy. Professora, com licenciatura em Ciências Biológicas pelo Instituto de Biociências da USP. Mestre em Psicologia da Educação pela Faculdade de Educação da USP. Consultora e Palestrante atuando nas áreas de Educação Emocional, Desenvolvimento de habilidades e competências, Heterogeneidade na sala de aula, Resolução de conflitos, Bullying e Formação docente. É Professora e Coordenadora no Colégio Dante Alighieri, São Paulo.

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