Guia para Gestores de Escolas

Isolamento Social e Homeschooling são estratégias para a enfrentar a crise mundial causada pelo Coronavírus

O mundo passa por um momento jamais visto em sua história. A pandemia causada pelo novo coronavírus provocou isolamento social e mudou a rotina de todos os povos. Talvez esta tenha sido a forma escolhida para a evolução planetária e humana: uma pandemia e não uma guerra, justamente para não gerar sentimentos de raiva, divisão ou rancor.

O fato da contaminação ser global e não pontual foi essencial para romper qualquer preconceito quanto ao credo, etnia, posição social ou nacionalidade. Ele nos mostra a igualdade entre todos. Aliás, a pandemia nos fez mudar muito nos últimos meses. O isolamento social transformou nossa maneira de enxergar o mundo e as pessoas, assim como a forma de convivência.

Agora, encontramo-nos através das Redes Sociais e muitas coisas que criticamos até outro dia passaram a ser essenciais. Nós mudamos nossos olhares para o outro, porque a necessidade nos fez reaprender a aprender. Foi como um tapa na cara da sociedade, que tão dinâmica se viu “obrigada” a parar, diminuir o passo, desacelerar! Somos levados a refletir e criar possibilidades para viver apenas em casa, 24h por dia, sem enlouquecer diante da necessidade de não se aproximar uns dos outros, passear, viajar, fazer coisas cotidianas, como ir ao shopping center, etc.

Também somos obrigados a pensar de maneira individual e em como devemos agir para sermos mais solidários e causar impactos positivos coletivamente. Estamos aprendendo a pensar e a agir na urgência, na emergência, já que nunca suspendemos aulas por tanto tempo, sem previsão concreta de retorno.

Muitos ainda se perguntam como um vírus pode ter nos colocado no lugar onde sempre deveríamos estar? Sim, estamos trancados em nossas casas, sem a menor possibilidade de reuniões familiares, encontros com amigos, festas ou viagens. O mundo parou para nós. Agora temos tempo para refletir. A cada dia acordamos com a esperança de alguém finalmente encontrar uma saída para que tudo volte ao “normal”.

É em meio a este cenário que as escolas, sem aulas há quase um mês, buscam soluções com as autoridades, numa maneira de garantir o direito que toda criança tem a Educação. As famílias bastante preocupadas, procuram ajuda junto às Instituições Educacionais para auxiliar os filhos. Neste clima de incertezas e mudanças comportamentais aparece uma sugestão, que já havia sido solicitada ao governo brasileiro para alguns alunos, o “homeschooling” (aulas em casa), que ainda não faz parte da cultura brasileira e que para nós é um grande desafio. Apesar da crise ser mundial, as soluções para cada sociedade são individuais.

Nesta situação inusitada do isolamento social, a criação de um modelo pedagógico totalmente digital se tornou um desafio tão grande quanto o combate ao próprio coronavírus. Diante de escolas fechadas por tempo indeterminado, as autoridades têm nas mãos a missão de encontrar uma solução para seus alunos em um território marcado por diferenças econômicas, sociais e culturais. Diante do impasse entre as escolas que irão se valer ou não do recurso das aulas online, as instituições usam de sua autonomia para se mobilizar e manter pelo menos algo em uníssono: o vínculo com as famílias.

O Ministério da Educação busca estratégias que possam ser comuns em toda Rede Nacional para oferecer aos estudantes a possibilidade de acesso ao conteúdo das disciplinas caso a suspensão das atividades escolares se estenda ainda mais. Seja na escola pública ou na particular, pelo menos um ponto é comum: o que os pais estão vivenciando, não importa em qual nível de ensino, é totalmente novo.

O ensino a distância não será usado como uma ferramenta a mais. Desta vez, ele é a única ferramenta capaz de substituir as aulas presenciais em todas as séries. Estamos diante do nosso maior desafio. Nossa sociedade não está acostumada a deixar os alunos a buscar sua aprendizagem acessando plataformas digitais sozinhos. Temos que ensiná-los a aprender interagindo virtualmente e consultando um professor tutor. Tudo isto é muito novo para alunos, professores, instituições de ensino e até para o governo.

Entendo que este é o momento de convocar as famílias para fazerem parte deste processo de aprendizagem, que será novo também para elas. Estamos vivenciando uma nova forma de integração entre família e escola. O Ensino a Distância ganhou uma nova expressão educacional, como protagonista, mas não tirou dos educadores a responsabilidade do planejamento das atividades e de aulas interativas e dinâmicas para não provocar o ostracismo nos alunos.

Cada escola está se organizado de maneira individual e isto pode trazer mais problemas. As plataformas virtuais, por exemplo, deveriam ser integradas. Porém, ninguém esperava por um cenário como este.  Além disso, o planejamento estabelecido previamente com os professores precisou sofrer rápidas alterações. As famílias passam a ter que participar ainda mais da vida escolar. Pais ou responsáveis precisam tirar algum tempo para se sentarem com as crianças, estabelecer rotinas de estudo, acompanhar passo a passo, pois sozinhos os alunos podem desanimar e abandonar os estudos em casa.

Tudo que está sendo proposto será incluído em planilha normatizada para prestação de contas das aulas. Quando elas voltarem, os colégios terão de apresentar esses resultados ao Conselho Estadual de Educação para validar o que ele mesmo concedeu, que é o ensino a distância. Os componentes curriculares devem ser trabalhados de forma remota e documentados com a metodologia adequada. Mas nem tudo é tão simples e rápido como a Internet. Há pais com dificuldade para entender como irá funcionar a plataforma educacional, o que é normal. Para eles as escolas estão preparando um kit com atividades semanais, que podem ser retirados na porta das instituições de ensino. As dificuldades também podem atingir os professores, por inaptidão para colocar os conteúdos no ar, formação e estrutura adequada, além da carga horária a ser cumprida. De uma forma ou de outra, cada colégio tenta suprir essa impossibilidade de ministrar aulas no ambiente escolar.

Para as crianças nada é diferente. Atividades escolares devem ser passadas para serem feitas em casa, sobretudo em se tratando das crianças de 4 e 5 anos, cuja escolaridade é obrigatória. A escola tem que proporcionar as condições para a rotina escolar e disponibilizar um canal para os pais ligarem e tirarem dúvidas em tempo real. É primordial que neste momento a escola esteja ao lado das famílias. A medida é apenas uma maneira de proporcionar que as escolas tenham mais um canal de ensino e continuem funcionando e exercendo seu papel educacional.

É hora de dar as mãos, de tentar novas soluções diante de um problema que não conseguimos conter em curto prazo, mas que nos deu mais razão ainda para não desistir. Este é o papel social que a Escola irá desempenhar agora, ou seja, mesmo à distância, precisamos aproximar os alunos dos professores e criar possibilidades de interação social.

É preciso desenhar novas estratégias. Será difícil, mas não impossível. Nestes momentos percebemos o quanto podemos ser geniais, podemos mostrar que nossa mente está preparada para agir, tomar decisões instantâneas e nos aproximar. Está provado cientificamente que não usamos sequer a metade do nosso cérebro. É hora de provar que podemos usá-lo mais e que a Internet realmente traz um benefício para auxiliar a educação. Não podemos nos sentir fracassados ou ficar parados esperando a rotina diária voltar. Devemos criar possibilidades, ser proativos, mostrar que apesar de ainda não estarmos preparados para a Autonomia e o Protagonismo dos alunos, é preciso colocar em prática tudo o que foi ensinado nas salas de aula.

As plataformas digitais são nosso único meio de trazer o aluno de volta à escola e vamos usar sem discriminação. O único lugar onde não podemos chegar é aquele onde não tentamos ir. No mais, somos capazes de grandes transformações e estamos prontos para mais esta inovação, apesar dela nem ser tão nova assim. Que todos os nossos esforços atinjam nosso maior objetivo: inserir as crianças e adolescentes de volta ao espaço educacional. 

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