Guia para Gestores de Escolas

Liderança em sala de aula

Matéria publicada na edição 112 | Outubro 2015- ver na edição online

Ao se conscientizar de sua importância como líder de uma equipe chamada ¨sala de aula¨, o professor deverá exercer sua autoridade de forma natural e realizar o gerenciamento da turma de forma democrática e afetiva.

Um professor-líder que sabe motivar, que gera empatia e admiração da turma e que tem o domínio do processo de ensino-aprendizagem, certamente terá mais sucesso durante suas aulas e conseguirá ensinar mais e melhor.

Essa capacidade de liderança geralmente não é ensinada nos cursos de formação de professores, mas pode ser desenvolvida pela coordenação nas reuniões de instrução e monitoramento.

A seguir, selecionei as principais atitudes que um professor deve ter para ser considerado um líder efetivo:

1 – Dê o exemplo – Seja o que você quer ver no outro. Se vista adequadamente, tenha um vocabulário apropriado, mantenha uma boa aparência, participe de corpo e alma dos eventos da instituição e cumpra os horários.

2 – Postura – Movimento corporal contínuo – O corpo diz muito sobre você mesmo e os outros. Gestos, postura e posição são sinais da tentativa do seu corpo trazer à tona os sentimentos. Segundo os padrões ocidentais, quando uma pessoa se interessa por outra a tendência é de que se incline ou se movimente em direção a ela.

3 – Ocupação espacial – O ato de marcar território, isto é, no início da aula passear pela classe, é uma demonstração física de liderança, que passa a sensação de proteção e, por consequência, acalma o grupo. Se acompanhado de afagos sinestésicos (leves toques nos ombros) o processo torna-se completo.

4 – Construção empática – Breves conversas no início da aula, quando estiver passeando pela sala de aula, demonstrando o interesse real no aluno podem ser uma grande fonte de energia para fazer com que ele siga em frente.

Esse tipo de bate-papo abre a porta para canais mais profundos de vínculos afetivos e gera, ao longo do tempo, um ambiente de cumplicidade e segurança no qual os alunos sabem que podem contar suas realizações e dificuldades, e que haverá uma pessoa que os ouvirá sem o propósito de argumentação, mas com o desejo de entender seus anseios e preocupações.

5 – Sorriso – O sorriso é um dos sinais de comunicação com um sentido universal: ele expressa alegria, felicidade, afeição e gentileza. Em suas variadas formas, o sorriso aparece em todas as culturas humanas, em todas as épocas.

Iniciar e finalizar a aula com um sorriso no rosto mostra que o professor tem vínculos afetivos com os alunos e que está feliz em estar com eles.

6 – Tom de voz – O som da voz diz muito sobre seu estado de espírito e, mais importante, como a pessoa se sente com relação às outras. Como é conectada à área do cérebro que está relacionada às emoções mais profundas, é difícil esconder mudanças vocais quando certas emoções ocorrem.

Diferentemente do volume, o ser humano tem pouco controle sobre seu tom de voz. O tom é considerado curto quando tem pouca oscilação, passando a impressão de falta de vontade, monotonia e tristeza.

Por outro lado, quando estamos falando com vontade e empolgação, o tom de voz se alonga, criando oscilações, os finais das frases são arrastados e a voz fica mais nasalada, passando a sensação de que se está falando com o “coração”.

7 – Personalização – Além de o próprio nome ser a palavra mais escutada durante toda a vida de uma pessoa, a personalização tem uma força muito grande na formação do vínculo afetivo.

Por não estarem no topo da cadeia alimentar, os homens antigos começaram a se organizar em grupos como sistema de proteção, melhorando suas defesas contra predadores e gerando, por consequência, uma maior sensação de segurança. A ideia de viver em núcleos societários, na época dos clãs, e hoje em dia nos círculos de amizade e familiar, permanece enraizada em nosso DNA.

Quando chamamos um aluno pelo nome resgatamos em sua memória hereditária a sensação de segurança e a convidamos para fazer parte de nosso clã.

8 – Ouvir Todo-Inclusivo – Segundo o psicopedagogo Fernando Monte-Serrat, saber ouvir é tão importante quanto saber falar. Às vezes, pelo simples fato de ouvir uma pessoa angustiada, sem que digamos nenhuma palavra, ela nos agradece aliviada pela ajuda. O que ocorre é que essa pessoa precisava apenas ser ouvida para que pudesse organizar sua própria experiência.

Quando a pessoa fala, ela não apenas fala para o outro que a escuta, mas também para si mesma, o que pode ajudá-la a ordenar seus pensamentos.O ouvir todo-inclusivo envolve não apenas as palavras, mas também a necessidade de ouvir todas as linguagens, inclusive as não verbais como a postura e as atitudes.

9 – Resposta Empática – Colocar-se no lugar do outro antes de responder uma pergunta tende a gerar a sensação de compreensão por parte de quem escuta.

10 – Mantenha uma unidade de comando – Nunca critique a coordenação, a direção ou a instituição. Distanciar-se de seus superiores é uma tentação enorme. Alguns professores fazem isso para conquistar a simpatia dos alunos e criar um laço ao se colocar no mesmo patamar de seus liderados.

11 – Troque a crítica pelo reforço positivo – As pessoas preferem ser inspiradas a criticadas. Valorize tudo aquilo que você quer que seus alunos repitam.

12 – Lidere com entusiasmo – A sala de aula é um palco e o professor é o grande ator. Portanto, quando for aparecer em cena, demonstre entusiasmo. Quando um aluno fizer uma pergunta, responda com um brilho nos olhos. Termine a aula com um gran finale. O entusiasmo é contagiante, e todos adoram estar perto desse professor.

13 – Cumpra as pequenas promessas – Somos motivados pelas pessoas em quem confiamos. Cumpra o que prometeu, não chegue atrasado, lidere pelo exemplo. A confiança é conquistada não apenas por meio dos grandes feitos, mas por meio das pequenas coisas.

14 – Critique de forma direta – O líder deve efetuar as devidas correções diretas e específicas ao invés de afirmações genéricas. Apoie-se em avaliações de desempenho concretas. Processos avaliativos subjetivos são encarados como julgamentos e costumam deixar as pessoas desconfortáveis nos papéis de juízes e réus, quebrando os vínculos de confiança.

15 – Esteja aberto à opinião – Se os professores forem exemplos de sensibilidade e receptividade e solicitarem feedback de si mesmos, aumentam a chance de encontrar aceitação por parte dos demais colaboradores.

16 – Saiba escutar – De todas as habilidades associadas à boa comunicabilidade, a mais importante é a escuta. A escuta reflexiva baseia-se na empatia. Pense no ponto de vista do interlocutor – não se precipite diante de descrições imprecisas dos fatos; atente para os sentimentos ocultos no subtexto antes de apressar-se em corrigir ou tecer uma opinião.

“Líderes não criam seguidores.

Criam novos Líderes.”

Tom Peters

 
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Christian Rocha Coelho é especialista em andragogia e diretor de planejamento da maior empresa de gestão, pesquisa e comunicação pedagógica do Brasil, a Rabbit Partnership.
Mais informações: (11) 3862.2905 / www.rabbitmkt.com.br / [email protected]

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