Guia para Gestores de Escolas

O que a crise na Amazônia pode ensinar aos gestores educacionais?

Unidos venceremos, Divididos, Cairemos.

Bob Marley

A linguagem biológica chegou de vez na ambiência corporativa. Termos como ecossistema de negócios, manejamento de recursos, mutações, nichos, relações predatórias, pessoas tóxicas, efeito cumulativo, tolerância, simbiose, microclimas e clima organizacional. Contudo algo é inegável: não existirá nenhuma transação se o planeta deixar de existir.

Cuidar da Amazônia é cuidar da vida. Urge cuidar da “Casa Comum”. O bioma amazônico   vive a multiplicação das queimadas e o mundo inteiro esta denunciando  a necessidade de ações sustentáveis. Tais ações necessitam fazer parte de todas as instituições, principalmente a escola, enquanto espaço de aprendizagens e reflexão sobre situações-problema e fenômenos.

O que a crise da Amazônia pode ensinar sobre gestão educacional?  Vamos à metáfora? É tempo de renovação de matrículas, captação de novos alunos, apresentação da escola para famílias e isso, deixa toda a equipe gestora atenta para avaliar a estratégia de marketing e seus resultados. Uma pergunta é essencial: como anda a reputação da instituição? Quais novidades os clientes e consumidores aguardam para o próximo ano? Será que a escola esta “queimada” no mindset das famílias?

A crise amazônica desnudou nossa quase falência na gestão de riscos enquanto nação. Luxo, que uma escola seja pública ou particular, não pode se dar. A tão repetida expressão das equipes gestoras “apagar incêndio” que é usada para caracterizar alguma crise, nos diversos departamentos da escola, local onde tudo pode acontecer em segundos, nos ajuda a pensar.

Na escola como na Amazônia, todos, devem ser rápidos na tomada de decisões, para sanar ou evitar crises. Trata-se, da escolha entre o prevenir e o remediar. Gestores devem planejar com diligência para “apagar incêndios”.  Desde a Idade Média a palavra “queimar” significa dizer algo que pode arruinar a reputação de um individuo ou instituição. Queira-se ou não, infelizmente os “incêndios” acontecem invariavelmente e, muito pouco ou nada, se pode fazer para evitá-los, apenas estar devidamente preparado para enfrentá-los e extingui-los, com o menor dano e, custo possível.

Não é adequado que famílias ou responsáveis “queimem” a imagem das escolas na frente de seus filhos ou nas redes sociais. Todos perdem com isso. Não é bom que alunos não sejam corrigidos quando “queimam” com maledicências a postura de seus professores ou até mesmo da gestão educacional. É muito delicado quando professores ou mesmo colaboradores da escola “queimem” o comportamento de alunos ou famílias. Para criar um clima organizacional sustentável todos devem avaliar o impacto de falas, gestos e textos nas redes sociais. Os gestores devem ser módicos nas palavras e gestos para evitar as “chamas”.

Na Amazônia como na vida é hora de apagar os incêndios. A  crise amazônica é pedagógica e ajuda-nos  refletir sobre  a gestão de riscos e conflitos, frente a “incêndios”, pode seguir cinco passos para ser minimizada:

  • Diagnóstico. Definir o cerne da situação-problema com sua equipe é fundamental para reconhecer sua extensão diante de fatos periféricos. Trata-se do foco na abrangência, danos e gravidade. Nesses momentos tensos todos devem ser incentivados a observar os vários ângulos e detalhes possíveis. Em gestão de crises: “várias cabeças pensam mais que uma”.
  • Avaliação. Diante do problema o gestor deve aprimorar seu olhar ficando atento para avaliar as contingências, conduzir sua equipe e avaliar a extensão da situação-problema. Nessa fase toda a equipe deve ser previdente, consultando leitura de conjuntura, mapas, livros, dados e informações da internet, e tudo que pode ser de grande valia.
  • Estruturação do Plano de Ação. Identificados os focos dos “incêndios” e seus desdobramentos, estragos e possíveis causas, é hora de concentração e abandono do que é considerado irrelevante.  O plano de ação nasce a partir da descoberta dos parceiros, das ameaças, oportunidades, forças e fraquezas. A equipe nesse momento concentra-se em  dividir o problema em subproblemas para começar a agir. A floresta não pode ser destruída, nem é hora de negar propostas de apoio. Fidelizar e captar parceiros, clientes, consumidores, comunidade educativa são a regra.
  • Ação. A gravidade e alta complexidade convida a equipe gestora a agir recorrendo a ajudas interna e externa envolvendo especialistas, consultores e “vozes intersetoriais da experiência” de outras equipes institucionais similares à sua. O “fogo” tem de ser apagado e, todos, devem agir de maneira coordenada para o retorno da harmonia, sem desmatar e devastar as riquezas que são de todos, seja nas escolas, seja na Amazônia.
  • Reavaliação – Momento de verificar como se deu o “apagar dos incêndios”, revendo processos, projetos e papel de cada um da equipe para evitar ou enfrentar novas crises. Nessa hora, os gestores devem ouvir, dar feedback e agradecer a toda equipe. É fundamental, nesses casos, que os registros sejam deixados para novas verificações, discordâncias e concordâncias, para próximos momentos coletivos.

Como a Floresta Amazônica, a escola é dotada de beleza, mas também de diversidade. Torna-se imprescindível cuidar dos sistemas vivos e pessoas, valorizando cada ação.  Portanto, na hora de nos aventurarmos na Amazônia (Gestão Educacional – metaforicamente), precisamos ficar atentos, assertivos e observadores.  A defesa dos ecossistemas se dá no encontro com a ética do cuidado, da sustentabilidade e da interdependência.

Semelhantemente a gestão ambiental a governança educacional envolve o emprego de ferramentas, controle, monitoramento e prevenção a favor do desenvolvimento sustentável e da redução de impactos, resultando em uma abordagem técnica dos diferentes problemas na proposição e adoção de soluções através de boas práticas, considerando a aliança de fatores culturais, políticos, econômicos e sociais.

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