Guia para Gestores de Escolas

O que os ipês podem ensinar aos gestores educacionais?

Amo os ipês, mas amo também caminhar sozinho. Muitas pessoas levam seus cães a passear. Eu levo meus olhos a passear, eles se encantam com tudo. Rubem Alves

Oriunda da cultura indígena tupi a palavra ipê significa casca dura e era usado para confeccionar arcos para caça e defesa. A madeira dessa árvore é resistente, pesada, difícil de ser serrada, resiliente aos roedores e à umidade. Resumindo, os ipês são fortes e belos, quando florescem, deixando sua marca no horizonte e na memória de quem os contempla.

Os estudiosos afirmam que os ipês são nobres, mas, mesmo com essa característica, são utilizados após cortados para construções de pontes, móveis, pisos, escadas, instrumentos musicais, portais e janelas. Traduzindo o ipê é multitarefa. Mas, a função mais lembrada, na proximidade da primavera e durante essa estação é embelezar a paisagem. Eles fazem marketing sendo extremamente naturais. As escolas deveriam ser assim. O simples é sofisticadíssimo, sempre.

Metaforicamente, o que os ipês podem ensinar para gestores educacionais? Essa pergunta nos auxilia a pensar sobre a importância do gestor ser “casca dura”, para enfrentar as críticas recorrentes de estudantes, colaboradores, famílias, vizinhança e comunidade do entorno quando toma decisões impopulares para garantir a ordem e os procedimentos operacionais padrões (POPs).  Quem ocupa o papel de liderança é sempre visto e julgado pelas suas atitudes se assemelhando aos ipês que ao florir não passam despercebidos seja pelas flores e pelo chão que fica marcado pela sua presença.

Os gestores educacionais são “caçadores” de estratégias para garantir ambientes de aprendizagens utilizando seus “arcos” para caçar táticas e operações capazes de garantir um clima organizacional focado na defesa da missão, visão e valores institucionais. Os gestores como os ipês necessitam serem corteses, elegantes, belos e fortes para dar limites e possibilidades ao time e a comunidade educativa.

Os ipês levam, em média, quatro anos para começar a dar as primeiras flores. O gestor depende dos ciclos para apurar resultados e indicadores, relativamente precisos. A metodologia de avaliação interna e externa é fundamental. Durante a maior parte do ano os ipês são módicos e sóbrios e na hora certa encantam a todos com sua beleza. Encantar famílias, estudantes e colaboradores é a missão dos gestores.

Como os ipês, os gestores, devem se defender de quem tenta cortar, serrar e amputar a árvore que é a escola e os ramos que são os segmentos. Uma instituição deve resistir à fragmentação e se constituir em uma comunidade educativa fértil e florida. Os departamentos ou segmentos não podem ser um conjunto de várias escolas, sem a “seiva” da identidade comum.

Os gestores necessitam entender e agir no sentido de não serem personalistas, mas facilitadores do espirito de equipe, da inteligência coletiva e das aprendizagens colaborativas. No lugar da tentação do “eu-equipe” é necessário fomentar a equipe. É interessante observar como o vento espalha as sementes do ipês, fazendo-os florir numa sequencia maravilhosa que enche os olhos e transborda a estética das cidades e do campos, onde crescem. As escolas precisam florescer e para isso precisam de todos.

Interessante pensar que mesmo ao ser cortado a madeira do ipê se transforma em pontes. O gestor mesmo ausente da escola para atribuições externas  deve delegar poderes e papéis ao seu time, criando ponte e conexões entre os colaboradores para que se comuniquem com assertividade e respeito.

Gostei de descobrir que a madeira do ipê pode se tornar piso. O gestor deve ser a estrutura que dá suporte e base para a equipe de maneira elegante, mas  firme para suportar a gestão de crises, não se deslumbrando com  os elogios frente a sucessos. O ipê com seu florescer esplêndido é breve. Isso pode ajudar o gestor a pensar que, o sucesso do passado, não pode ser cultuado. O ipê dá a sua florada e, depois se torna sóbrio até a próxima oportunidade.

A madeira do ipê pode ser usada de maneira flexível se permitindo tornar, mesmo apesar de dura e forte: instrumento musical. O gestor educacional carece ser o escultor e o maestro que constrói instrumentos de avaliação e ferramentas para atender e entender com excelência seus diversos públicos com gostos e expectativas distintas.

Os ipês constituem uma família diversa e constituída por flores belas e de várias cores, neste aspecto, os gestores devem respeitar as vozes múltiplas, as nuances de cada pessoa envolvida no processo de ensino aprendizagem da escola e, respeitosamente, as várias interpretações sobre a rotina e o cotidiano. Todos devem florir da forma que são.

Ipês são pedagógicos. Aprendi isso, nessa quase, Primavera, estação que amo, por ser tempo dos ipês. Contemple-os e aprenda a ser como eles ao gerir sua existência. Abra as portas e as janelas. Seja e encontre beleza no dia a dia. Até as flores no chão são belíssimas.

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