Guia para Gestores de Escolas

Personalização na educação

O desenvolvimento tecnológico que acontece de uma maneira rápida e constante no mundo, cria oportunidades e desafios para toda sociedade, e no caminho das oportunidades aparece a personalização. Empresas de publicidade e marketing fazem entregas de conteúdos cada vez mais direcionadas ao público-alvo, as de telecomunicações elaboram pacotes para diferentes perfis de clientes, no streaming recebemos sugestões de filmes e séries de acordo com nossas escolhas anteriores. Na educação a personalização é, também, uma oportunidade que, se bem executada, maximiza o impacto da aprendizagem. Já se fala em distribuição de conteúdos de forma personalizada e adaptada.

A busca de sentido fortemente associada ao ato de aprender ganha maior profundidade quando se considera o perfil do aprendiz. Uma abordagem mais personalizada considera o estilo de aprendizagem, as capacidades, interesses, deficiências e avanços ou retrocessos de cada aluno, com isso o progresso da aprendizagem tem seu ganho máximo para determinado estudante.

A personalização coloca o aluno no centro do universo educacional, todas atividades desenvolvidas com ele são pensadas a partir de suas potencialidades, escolhas, objetivos e no seu ritmo.

A personalização não era a forma mais usual nos primórdios da educação, quando começaram as aulas grupais no formato que conhecemos essa característica vai perdendo força devido às próprias características da organização de classes e aulas.

No passado, por volta de 1905, Helen Parkhurst cita o termo ao trabalhar com várias turmas ao mesmo tempo, ela organizou em pequenos grupos com diferentes disciplinas e estratégias, que estudavam em diversos ritmos em colaboração com os colegas e eram avaliados com protocolos mais individualizados. Já em 1970 o termo “personalização” se popularizou por trabalhos do pedagogo espanhol Victor Garcia Hoz e ganhou força atualmente devido a entrada das TIC’s (Tecnologias da Informação e Comunicação) na educação e nas novas demandas do mundo.

Cabe diferenciar a individualização da personalização. O primeiro conceito seria impossível em sistemas educacionais, pois demanda aulas particulares e maior dependência da tutoria do professor, que é o centro desse processo. O professor organiza abordagens únicas e essa individualização pode caber em situações muito específicas de alunos de inclusão com dificuldades de aprendizagem muito particulares.

No caso da personalização, o aluno, centro do processo, pratica a meta-aprendizagem, segue uma rota didática mediada pelo professor, mas de acordo com suas escolhas e possibilidades.

O papel do professor, nesse caso, é essencial para a indicação de ferramentas e conteúdos, para o desenvolvimento da autoconsciência, do aprender a aprender, para orientar o processo reflexivo dos alunos para que sejam mais assertivos em seus projetos de vida. Dentro dessa perspectiva, a formação do professor deve ser cuidada para desenvolver as novas competências para um ensinar dentro dessa proposta e, também, as competências digitais, já que a tecnologia é facilitadora e viabilizadora desse processo.

Os avanços tecnológicos enriqueceram as ações de personalização. O Big data, por exemplo, ampliou o potencial de análises em diferentes dimensões. Ter dados sobre o nível de proficiência dos alunos, habilidades cognitivas e socioemocionais, comportamentos em ambientes digitais, a evolução da aprendizagem em gráficos e dados consolidados, facilitam o trabalho do professor. Isso permite que o mestre dê feedbacks durante as aulas e no acompanhamento no pós-aula, além de tornar mais eficaz suas intervenções e orientações para a gestão da aprendizagem. O uso de dados para a tomada de decisões exige a competência analista do professor, muito pouco explorada nos cursos iniciais de pedagogia ou licenciaturas, cabendo aos cursos de especialização ou de formação continuada cumprirem essa função.

Outros recursos tecnológicos como as plataformas adaptativas, os dispositivos móveis, as ferramentas e ambientes virtuais de aprendizagem, propulsionam ainda mais a personalização. Com o interesse dos alunos nessa proposta, a personalização deverá guiar mais transformações e direcionamentos na educação. Que bom, torço por isso.

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