Guia para Gestores de Escolas

Qual a quantidade ideal de alunos em uma sala de aula construtivista?

A circunstância de ser uma pergunta frequentemente formulada não implica que seja fácil a sua resposta. Assim, entre as inúmeras questões que sempre nos propõem, uma delas é a que indaga: qual o número “ideal” de alunos em uma sala, para que se possa ministrar a aula e garantir aprendizagem significativa a todos? A resposta a essa questão parece-nos complicada, mas nem por isso devemos fugir dela.

A resposta é complicada porque a quantidade de alunos que se acredita “ideal” na Educação Infantil, por exemplo, não é a mesma que se propõe para as Séries Iniciais do Ensino Fundamental e, menos ainda, para as possíveis no Ensino Médio. Além disso, aulas de Ciências em Laboratórios, Informativa, Línguas e Educação Física, por exemplo, sugerem quantidade de alunos diferente que os que se agrupam em aulas teóricas – expositivas ou não.

Assim, a questão chega ao seu objetivo essencial: Quantos alunos devem abrigar uma classe em que se deseja a efetiva construção da aprendizagem, a perspicácia no desenvolvimento de competências e a certeza de que bons instrumentos de avaliação podem aferir níveis efetivos de aprendizagem?

Baseando-se em muitos anos de trabalho e aferição efetiva de aprendizagens, acreditamos que uma Educação Infantil que propõe plena exploração dos limites cognitivos e mnemônicos das crianças não pode contar com mais de oito a dez alunos por turma, e essa quantidade não deve ir além de 25 nas Séries Iniciais, para chegar a 30 no final do ciclo e admitir até 35 alunos no Ensino Médio.

Sendo impossível manter-se dentro desses parâmetros, não significa que não se possa fazer admirável trabalho educativo, ainda que com algumas restrições. Mais ainda, essa mesma quantidade de alunos pode ser ideal para os professores que sabem bem trabalhar com grupos e se mostra com eficiência, para todos quantos ignoram essas estratégias.

Um professor, extremamente hábil para lidar com situações de aprendizagens de alunos organizados em equipes, consegue respostas excelentes e não raramente superiores a de seus colegas, que apenas admitem ações individualizadas. Além disso, quando o professor possui um ou mais “auxiliares”, que não se volta especificamente a questão da intermediação entre os saberes dos alunos e os desafios dos conhecimentos postos ao seu dispor, mas pode acompanhar esta ou aquela limitação pessoal ou cobrar uma ou outra habilidade específica, uma vez mais a quantidade de alunos pode crescer um pouco, com prejuízo pequeno.

Os limites quantitativos acima, entretanto, podem permitir uma aprendizagem satisfatória, mas jamais proporcionar ao professor a condição plena para conhecer o aluno, identificando e trabalhando os seus estilos de percepção e sua singularidade enquanto pessoa, atributo essencial para ajudá-los quanto à efetiva leitura do mundo e a indispensável hierarquia em suas referências e quadro de valores. Há quem diga que esse não é o papel do professor. Se não o for, de quem será esse papel?

Todo professor é mais que um agente indutor de processos de aprendizagens e da transformação de informações em conhecimentos, e assim, necessita ajudar seu aluno na longa (e nem sempre lenta) caminhada rumo ao amanhã.

Para que essa ação se concretize plenamente, é essencial que o mestre esteja plenamente preparado, mas também não é menos importante que os limites quantitativos expostos se reduzam, e dessa forma torna-se necessário extrair 25% ou mais em relação a quantidade acima destacada.

Assim, a quantidade de alunos na sala importa muito, mas ainda mais importante é o conhecimento, estudo permanente, entusiasmo e dedicação do professor. Um breve “passeio” pelas manchetes do cotidiano aponta sempre que médicos geniais e abnegados conseguem milagres admiráveis mesmo tratando pacientes em situações precárias. Pelo menos por este ângulo, médicos e professores podem ser comparados: Se o número ideal de alunos é inviável, que ao menos caiba a eles um professor extremamente profissional e não menos dedicado.

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