Guia para Gestores de Escolas

Quando uma instituição de ensino deve investir em segurança?

Por Alexandre Judkiewicz, Diretor nacional de operações do GRUPO GR

Os estabelecimentos de ensino têm uma missão complexa quando o assunto é segurança. Isso porque nesse tipo de empreendimento a segurança atua em muitas dimensões estratégicas. Entre elas estão segurança das pessoas – alunos, colaboradores e visitantes; segurança dos ativos patrimoniais; segurança do patrimônio intelectual – pesquisas e produções científicas; segurança da imagem institucional – marca e credibilidade institucional e prevenção e gestão de crises e emergências – planos de gestão e contingências.

Certamente o principal patrimônio é o aluno, sendo que a garantia de sua tranquilidade é parte fundamental para o sucesso do negócio. Isso ocorre por algumas razões. Não é possível ter foco nos estudos se há um sentimento de insegurança; O clima da instituição contribui decisivamente no desempenho dos alunos e este clima é fortemente influenciado pelo sentimento de segurança; Pais de alunos não se sentem tranquilos quando os filhos frequentam ambientes inseguros, assim privilegiam ambientes seguros em detrimento da qualidade; Bons profissionais evitam ambientes de trabalho inseguros, por consequência os alunos perdem com a falta de bons professores. 

Mas como saber se uma instituição de ensino está frágil e deve investir em segurança patrimonial? Além do histórico de ocorrências indesejadas do local e da região, um bom sinal para identificar alguma fragilidade no sistema de proteção e na transmissão da sensação de segurança é a percepção do sentimento dos alunos e colaboradores. Não há boa segurança se os frequentadores não se sentirem seguros.

Quando tratamos da sensação de segurança, a gestão da segurança consegue, através de ferramentas simples, reconhecer o clima de segurança entre os alunos, colaboradores e frequentadores assíduos (pais e prestadores de serviços). Essas informações são preciosas e devem sempre ser levadas em consideração.

Já no plano da segurança efetiva, é importante monitorar os acontecimentos. Identificar e agir nas ocorrências internas, entendendo as causas e tratando-as imediatamente, além de monitorar as recorrências para conhecer melhor as vulnerabilidades, mas não apenas isso. É importante conhecer os índices de criminalidade no entorno, conhecer os riscos e ameaças. 

Um bom plano de segurança consiste em conhecer, primeiramente, os riscos ao qual o empreendimento está submetido. É fundamental mapear esses riscos e classifica-los por importância e probabilidade. Com esses dados em mãos é possível identificar as vulnerabilidade e elaborar planos de proteção assertivos. Veja algumas etapas de um planejamento de proteção institucional:

  1. Mapeamento do empreendimento e região – dados sobre a cidade, bairro e entorno onde o empreendimento está localizado; informações sobre a arquitetura e a dinâmica do empreendimento; rotinas e horários; público frequentador e cultura organizacional, entre outros.
  1. Identificação, análise e classificação de riscos – fase de identificação de ameaças e classificação por impacto, probabilidade e perda;
  1. Planos de proteção e controle – com base nos riscos e ameaças identificadas, planejar ações de proteção para tratamento desses riscos (mitigação, eliminação ou transferência). Nesses planos devem estar considerados os meios físicos (estruturais – muros, portas, etc.), eletrônicos (câmeras, alarmes, controles de acesso), procedimentais (normas, procedimentos, rituais e regras) e recursos humanos necessários (quantidade, posicionamento, conhecimentos, habilidades e atitudes, além dos treinamentos necessários);
  1. Planejamento de crises e emergências – considerar a manifestação das ameaças e planejar ações de contingência e tratamento (fluxos de comunicação, ações distribuídas por funções, comunicação interna e imprensa, etc.).

Falando em tecnologia, fundamental para esse tipo de sistema de proteção, deve-se considerar sempre a cultura e necessidades do empreendimento antes de montar o dimensionamento e implantação dos recursos. Por exemplo: há áreas de ensino que o monitoramento de imagens pode prejudicar o aprendizado. Nesses casos a privacidade deve ser defendida.

Já os controles de acesso, fator crítico de sucesso da operação de segurança em estabelecimentos de ensino, requerem tecnologia que suporte grandes fluxos de acesso, já que as ondas de entrada e saída de alunos são muito concentradas.

Cooperação com a segurança pública

A segurança do entorno é uma preocupação recorrente das instituições de ensino, mesmo não podendo, constitucionalmente, ampliar seu circulo de proteção efetiva para o extra-muros. Isso porque a segurança privada está restrita a atuação intra-muros. Sendo assim, faz-se fundamental uma boa integração entre a segurança privada da instituição e a segurança pública. A segurança privada pode contribuir muito com informações e até tecnologia, mas a atuação preventiva e reativa só podem ser exercidas pelas forças policiais, daí a necessidade de cooperação. É um trabalho conjunto e diário.

Cultura e eficácia

Projetos eficazes de segurança em colégios e faculdades devem ser elaborados levando em conta a dinâmica idealizada pela área pedagógica para que sirva de valor agregado, tanto ao propósito da instituição, quanto auxiliando no processo educacional. Importante que o foco primordial seja sempre nos frequentadores (alunos, pais, funcionários e visitantes) e se observe sempre o alinhamento entre a segurança efetiva do empreendimento com a transmissão da sensação de segurança.

 

Sobre o autor

Graduado em marketing com especializações em Estratégia em Segurança Empresarial, Gestão de Pessoas e Gestão de Shopping Centers, Alexandre Judkiewicz tem dezessete anos de atuação no mercado de segurança, com especializações em Israel e Argentina. Com vasta experiência em gestão de segurança corporativa, com grande expertise no segmento de Estabelecimentos de Ensino, Shopping Centers, Gestão de Crises e Emergências, Treinamento e Gestão de Equipes. Judkiewicz assumiu em dezembro de 2016 a direção nacional de operações do GRUPO GR.

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