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Guia para Gestores de Escolas

Reflexões Culturais: A multiplicidade cultural no âmbito escolar

Os desafios de um mundo cada vez mais singular e heterogêneo destaca uma falta de interesse e aprofundamento pelas diversidades culturais. Integrar as diferenças e educar para uma sensibilidade que prolifera no universo particular de cada criança é a chave para erradicar a intolerância e as práticas discriminatórias

Por Rafael Pinheiro

A cultura e todo o seu significado embasado em complexos discursos, densos debates e tão preciso quanto abstrato, ganha uma notoriedade incalculável em nossa sociedade contemporânea. Internalizada em conceitos que englobam diversas disciplinas e em sistemas de pensamentos distintos, compreendemos os estudos culturais como uma ferramenta de grande expansão, conhecimento, autenticação e reconhecimento de diversidades como passo relevante para conquista da convivência em paz, sem conflitos, preservando a liberdade particular e coletiva. O antropólogo holandês Hans Vermeulen, em seu livro Imigração, Integração e Dimensão Política da Cultura, destaca:  “a palavra cultura tornou-se também um termo corrente no discurso cotidiano. Por último, mas não menos importante, saber como lidar com a cultura ou – mais precisamente – com a diversidade cultural tornou-se uma questão política central dos nossos tempos”.

A diversidade cultural, por sua vez, reforça laços e unidades particulares, ímpares, intrínsecas, que envolvem desenvolvimento, participação em esferas sociais e noção de identidade cultural como eixo central de formação e integração. Nessa lógica, a articulação e o aprofundamento do olhar para a cultura, a busca de sua essência e histórico, o diálogo e até mesmo a alteridade são extremamente relevantes.

Com o advento tecnológico, a popularização de mídias sociais e o acesso às diversas ferramentas facilitadoras e aos aplicativos móveis, a cultura ganha uma notoriedade peculiar em cada indivíduo, gerando uma individualização progressiva, além da defesa da heterogeneidade e a recusa de qualquer semelhança ao outro. No campo virtual e, consequentemente, nos campos sociais, o respeito às diversidades perdem espaço gradativamente, mostrando, assim, uma imposição cultural que anula o outro em sua totalidade.

Os elementos culturais, nomeados por definições extensas, diálogos acadêmicos, exemplos concretos e conceitos que envolvem toda a parcela humana, possuem uma característica em comum: como lidar com os outros. Compreendendo, então, de forma rápida (e ligeiramente superficial) alguns aspectos culturais, podemos entrelaçar certos questionamentos aos espaços educacionais. As salas de aulas são a porta de entrada e o primeiro registro social da criança, representando um universo extremamente marcante em sua rotina – não só pelo aprendizado, mas também por descobertas que acercam sua particularidade, sua essência e a relação com os outros. Estabelecer trocas sadias nas experiências, além de uma comunicação eficaz e diálogo autêntico são requisitos primordiais que podem ser praticados diariamente.

Exercitar o olhar igualitário, fortalecer a identidade cultural de cada aluno e reforçar práticas que possam integrar as diferenças e promover discussões e até curiosidades comprovam resultados positivos, principalmente no desempenho e crescimento no âmbito escolar, além de erradicar práticas de intolerância à diversidade, bullying, cyberbullying, racismo, construções de gênero e toda e qualquer discriminação que possa disseminar nos corredores das instituições escolares – e, posteriormente, na fase adulta.

Diante de novos tempos, constatamos outros horizontes. Com novas perspectivas, deixamos de lado certos tabus e conceitos preconceituosos, propondo diálogos e inserindo no contexto escolar o caráter histórico-social e mutável. A partir dessas intervenções, com diversas práticas diárias no âmbito escolar e na convivência familiar, podemos projetar uma sociedade livre de intolerância e imposição de estereótipos arcaicos e excludentes.

Inserir e (re)adaptar ações para a promoção de um ensino e convivência igualitária não é tarefa fácil, já que permanecemos durante longas décadas enraizados em padrões tradicionais que perpetuaram e formaram várias gerações. Mas, observando por outro lado, quebrar essas práticas é uma forma de estabelecer em um futuro próximo uma relação agradável e respeitosa.

Aproveitando o início desse ano e a criação da programação para o ano letivo que se aproxima, que tal incluir em uma das metas para a instituição escolar o enfrentamento da diversidade em todos os âmbitos, a integração e o diálogo – tanto em sala de aula como em ações ou atividades especiais e direcionadas para a compreensão do outro como parte integrante (e necessária) de um bem estar coletivo? Ações como estas revigoram o espírito escolar e fortalecem a construção de um novo ciclo: mudanças significativas, novas perspectivas e alunos preparados para adicionar suas experiências em um mundo melhor.

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