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Guia para Gestores de Escolas

Uso da rede Edmodo pelo Professor 3: mediação desafia aluno à produção e o torna autor em torno do saber trabalhado

Já o professor 3, da disciplina de História do Ensino Médio, promoveu o que representa, de fato, uma intervenção ativa, utilizando-se das ferramentas, de textos, vídeos e imagens disponíveis na web, para propor aos estudantes um trabalho de autoria, de produção de sentido: um exercício de reescrita da Declaração de Independência dos Estados Unidos, junto à turma do 2º ano do Ensino Médio.

Toda a proposta se desdobrou em quatro ações e deu o ponto de partida para uma quinta atividade.

Na 1ª ação, além do texto da declaração original, foi disponibilizado um vídeo de análise do documento, extraído do endereço eletrônico http://www.biblicalworldviewtraining.com, ao mesmo tempo em que se atribuiu aos estudantes a tarefa de reescrever a Declaração nos termos da sociedade atual. Na 2ª ação, criou-se um usuário chamado Thomaz Jefferson. A estratégia foi inserir como interlocutor imaginário dos alunos o principal autor da declaração de Independência. No contexto da tarefa, este novo usuário convocava os alunos a reescrever a declaração em termos atuais. Exigiu-se, dessa forma, que os alunos desenvolvessem a percepção de permanências e mudanças dos tempos históricos – do momento em que a declaração foi escrita, comparado ao momento atual (esta é a 3ª ação). Observe o quadro a seguir:

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Exercício semelhante foi apresentado ao 3º ano do Ensino Médio, criando-se o usuário Woodrow Wilson e solicitando que eles reescrevessem os 14 pontos da declaração. É possível expandir esse tipo de exercício conforme as respostas, a interação dos alunos, realizando uma espécie de psicodrama histórico. Por exemplo, no primeiro caso, criou-se nessa dinâmica um perfil para o Rei George, que aparecia convocando os colonos a voltarem para a Inglaterra, desdobrando-se assim uma 4ª ação.

Agora, o Professor 3 pretende promover uma competição de vídeo com o 2º ano, sugerindo uma 5ª ação. Os estudantes irão representar um discurso de um personagem da Revolução Francesa, modelando o personagem através do aplicativo “Morfo” (ele possibilita ao usuário modelar imagens faciais, gravar falas e exportar o material produzido em forma de vídeo). No caso escolhido, o Morfo será o “aplicativo meio”, através do qual o aluno vai dramatizar um personagem da revolução. Em primeiro lugar, escolhido o personagem, faz-se o upload de sua imagem no Morfo. Em seguida, o aluno estuda um discurso desse personagem, com o objetivo de captar sua intencionalidade. Feito isso, o aluno poderá modelar o personagem a partir de seu discurso original, ou adaptar esse discurso para uma situação do mundo atual.

A ideia do professor, nesse caso, é promover a empatia do aluno com o tema em questão. Na etapa seguinte, o aluno grava a fala do personagem, e exporta o resultado final em formato de vídeo, a ser postado no SchoolTube, e compartilhado com a turma, dentro de sua sala de aula no Edmodo – caso o professor considere relevante, ele pode compartilhar o trabalho com toda escola.

Os exemplos acima dão uma prévia do que é possível fazer apenas com o uso de uma rede social, o Edmodo, e alguns aplicativos comuns aos programas operacionais de computação (como editores de texto, imagens e vídeos). Os documentos de apoio foram transferidos de outras bases (outros sites) e eles serviram apenas como recursos para a elaboração de um novo material, um novo sentido, ou seja, a autoria.

Criatividade e inovação

Em nossas observações, percebemos que a maioria dos professores reproduziram, no ambiente virtual, os mesmos padrões que estão habituados a realizar em suas aulas presenciais. Há, de fato, uma tendência muito forte a simplesmente reproduzir conteúdos, pacotes segmentados de saber. Sem entrar no mérito de que a maioria dos alunos não acredita mais nessa abordagem, a verdade é que, a cada dia, a tecnologia de informação apresenta novas ferramentas e recursos que podemos aproveitar como meio (e não fim) de instigação para as buscas e descobertas dos alunos. Mas como se localizar diante disso tudo, saber o que poderá ser possível utilizar, como utilizar? A resposta a isso exige curiosidade para conhecer e testar as ferramentas, organizá-las e pensá-las na perspectiva de uma mudança de paradigma que coloque a criatividade e a inovação no lugar da repetição e da acumulação. E educação do futuro se faz hoje por meio da colaboração. O desafio do professor atual é o de engajar seus alunos na descoberta e na invenção, encontrando um propósito que dê sentido à sua imersão no saber.

Por Rodrigo Abrantes e Rosali Figueiredo*

 Colaborou Rosali Figueiredo (jornalista e editora da Revista Direcional Escolas).

rodrigo-abrantes*Rodrigo Abrantes da Silva é historiador e professor. Especializou-se em História Contemporânea pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), e atuou como pesquisador do Projeto Análise e do Núcleo de Pesquisas de Psicanálise e Educação (NUPPE) da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP). Edita ainda o blog www.aulaplugada.com.

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