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Guia para Gestores de Escolas

Sua escola está comprometida com a superação e o equilíbrio emocional?

Nós somos a luz no fim do túnel

Nesses tempos em que a vida parece veloz demais, em que as demandas pessoais, familiares e profissionais nos deixam mergulhados em exigências, cobranças e comparações, é muito fácil nos sentirmos angustiados, perdidos, desolados, e até humilhados, por não darmos conta de tantas coisas que, na maioria das vezes, se mostram incertas no futuro.

Vivemos um tempo em que há um imperativo para sermos felizes a todo tempo, e, pior, para fazermos as crianças e os jovens felizes a toda hora. Isso tem gerado muita angústia, especialmente no ambiente escolar, que demanda trabalho, que precisa de empenho. Professores e professoras de todo o país estão se desdobrando, se reinventando e fazendo o que podem para oferecer algum senso de continuidade em suas aulas, mas nem sempre os pais e as mães conseguem evitar a armadilha da vitimização em relação aos seus filhos. É como se hoje houvesse no imaginário familiar uma necessidade premente de evitar todo tipo de frustração para os filhos, driblar as chatices e as dores da vida. Os filhos acabam se tornando mais frágeis emocionalmente e menos sensíveis socialmente. Não há como educar sem esforço e isso precisa ser melhor trabalhado junto às famílias. Desde o lançamento do livro A Síndrome do Imperador (Editora Autêntica e FTD) percebo o quanto esta questão ainda está longe de ser bem equacionada e o quanto é delicada esta relação entre os educadores e educadoras, os pais e as mães. Ainda são raros os casos de instituições que efetivamente se comprometem a criar e manter um programa consistente de educação familiar, e uma comunicação voltada à cumplicidade entre estas duas instâncias que tanto precisam uma da outra.

Basta observar nas redes sociais a enxurrada de fotos de crianças que se tornaram pouco a pouco um objeto narcísico de muitas famílias, que as expõem em busca de visibilidade e popularidade. Muitas famílias se dedicam hoje a uma atitude bajuladora em relação aos filhos, fazendo de tudo para que eles se sintam especiais. Só que em uma sociedade em que todo mundo quer aparecer, ninguém se sente visto de verdade.

Se os pais e as mães aproveitarem este momento para cultivar o hábito de dividir as tarefas do lar entre os filhos e as filhas, se eles conseguirem manter alguma serenidade e alguma sabedoria orientando os filhos a seguirem uma agenda para suas atividades, em vez de fazer somente o que elas quiserem, se os adultos da casa tomarem a frente e exigirem que seus filhos se dediquem a superar suas dificuldades com seus próprios recursos, perguntando aos professores quando não entenderem algo, marcando uma conversa com as professoras quando precisarem de ajuda com um trabalho escolar e não fazendo as atividades, pesquisas e lições por eles, poderemos crescer com toda esta dor que a situação atual nos trouxe. Mas, se pais e mães adotarem uma postura de superproteção neste momento, assistindo aulas junto com os filhos, tentando conseguir privilégios para eles ou aceitando passivamente que eles assistam as aulas de pijama ou com a webcam desligada, o que poderemos ver é um retrocesso no amadurecimento geral de nossas crianças e adolescentes.

Hoje, além do perigo iminente da morte ou de perda de algum familiar, há o medo do desemprego, da fome e da violência que uma desordem social pode provocar. Tudo isso nos atormenta, nos desestabiliza, nos ameaça a saúde mental e nos tira do eixo. É fácil entender porque um pai ou uma mãe se projeta no filho, na vida que se desvela diante de si. É compreensível. Mas não é sábio. Porém, cabe à escola orientar este processo, educando também as famílias, indicando a elas os caminhos práticos para conquistar a superação e manter algum senso de equilíbrio emocional. Em nosso Guia de acolhimento (Editora FTD) indicamos ações práticas, que podem ser adotadas pelas instituições de ensino, junto às crianças, adolescentes, familiares e educadores para que todos possam buscar a melhor versão de si mesmos.

Cito aqui alguns exemplos de publicações como orientadores de possibilidades, apontando que não nos faltam recursos para que se consiga um salto de qualidade na construção de uma mentalidade e uma atitude mais proativa de todos os agentes envolvidos no contexto escolar. Em muitos casos, o que nos falta é a consciência ou a decisão política de fazer acontecer.

A pandemia é uma condição, mas não necessariamente uma condenação. Se o gestor escolar imprimir esforços para que sua comunidade se acolha mutuamente, orientando os caminhos para que cada parte envolvida – pais, mães, educadores, educadoras, alunos, alunas, e todos os demais profissionais da escola façam sua parte – poderemos sair desta situação com crescimento e sanidade. Presencialmente ou à distância podem ser usados livros, podcasts, rodas de conversa, simulação de troca de papeis, enfim, os mais variados recursos. O mais importante é o desejo e o compromisso de fazer algo a respeito. Não adianta mais falar que “as famílias estão distantes”, que “as crianças não se comprometem”, “os jovens não têm limites”, ou que “as coisas estão difíceis”. O que importa, diria Sartre, não é tanto o que a vida fez de nós e sim o que faremos com o que a vida fez de nós.

Este é um bom tempo para se criar uma cultura voltada ao desenvolvimento das competências socioemocionais de todos os envolvidos no contexto escolar. Atualmente, fica bem clara a importância de se trabalhar a empatia, a confiança, o autoconhecimento, a autonomia, a motivação, o trabalho em equipe. Sem tudo isso e em especial, sem que sejam trabalhados os projetos de vida, é evidente um perigo de que nossos alunos e alunas não vejam a luz no fim do túnel e adoeçam de depressão, ansiedade e outros acometimentos graves. Nos próximos anos teremos tempo de oferecer formas de transmitir os conteúdos formais da matemática, da língua portuguesa, da física, de todas as demais matérias, mas sem que se cultive o desejo pela vida, o gosto pelos sonhos, a esperança num mundo melhor e o nosso protagonismo diante dos nossos projetos vitais, tudo o mais pode parecer sem sentido.

Há sim um sentido na alegria e na dor, na felicidade e no sofrimento. Ele é dado por cada um de nós, a partir da lente pela qual percebemos a realidade. Há escolas que se aproximaram ainda mais de seus familiares e estão conseguindo dar a volta por cima, com todos se ajudando e crescendo juntos. Sim, é possível. Sim, dá trabalho. Sim, vale à pena. Viktor Frankl, criador da Logoterapia, nos ensina que nos momentos mais cruciais da vida importa menos o que queremos da vida e sim o que a vida quer de nós. Com tanta tecnologia à disposição, chegamos, enfim, a uma percepção muito importante. O fator humano ainda é o que nos permite sair da reatividade, pegar a vida nas mãos, não temer o futuro e sim tomá-lo nas mãos e construir o futuro que queremos. Nós somos a luz no fim do túnel. E você? O que tem feito para envolver as famílias que atende em sua escola? Este já é o seu melhor?

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