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A importância da exposição à língua inglesa para aprimorar o processo de aquisição

Em 12 mar, 2018
Gestão Escolar

O tempo de exposição é sempre crucial para o aprimoramento de uma língua. Imagina-se que é preciso muito tempo para que uma pessoa internalize o idioma, a ponto de alcançar a fluência. A exposição à língua é todo contato que um indivíduo tem com o idioma, seja formal – dentro da sala de aula e em outros espaços dentro da escola -, ou informal – fora do ambiente escolar. Ao abordar a questão da exposição à língua é preciso levar em consideração a qualidade desse tempo, como está sendo usado e a que tipo de informação o aluno está sendo exposto. Na educação bilíngue os conteúdos são ensinados por meio da língua, tornando a aquisição do idioma uma consequência, como algo natural.

Em uma escola bilíngue, o objetivo não é ensinar apenas o inglês pelo inglês, mas ensinar conteúdos de disciplinas diversas e língua de maneira integrada. É preciso atentar-se ao fato de que aliar qualidade e tempo durante esta exposição é a grande chave para o sucesso neste processo de aquisição do segundo idioma. Quanto maior o contato do aluno com a língua inglesa, melhor será seu aprendizado, seja em sala de aula por meio de conteúdos, ou em áreas de lazer como quadra, cantina, horta. Qualquer espaço vai agregar conhecimento desde que essa exposição seja de qualidade.

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No caso dos bebês, que ainda não desenvolveram a fala, é recomendado que a comunicação seja de forma bem natural. Qualquer tipo de expressão que um professor use com o aluno bebê estará trabalhando sua compreensão e, a associação daquele som com a imagem depende muito da linguagem corporal e da expressão (para que a associação seja automática). Por isso é aconselhável usar muitos recursos de áudio, como músicas para trabalhar essa compreensão e associação com expressões e movimentos.

Já com crianças e pré-adolescentes é preciso levar mensagens mais significativas, para que eles não entendam que estão estudando gramática, mas sim, conteúdos que estudariam em português. Por serem temas que eles já têm algum domínio na língua materna, estarão levando o conhecimento prévio para a aula em inglês para trabalhar o processo de aquisição do conteúdo. Então, nestas aulas devem ser trabalhados muitos exemplos práticos, jogos, brincadeiras, questões relacionadas àvivência, entre outras dinâmicas. Por exemplo, em uma aula sobre botânica, para enriquecer o processo bilíngue, o professor pode levar os alunos a uma plantação ou uma horta, mostrar as plantas in loco, nomeá-las, apresentar características, a fim de que a experiência demonstre a utilidade do tema que estão aprendendo e facilite a integração do conteúdo com a língua.

Conforme eles forem crescendo, isso só começa a fazer sentido quando passam a reconhecer um significado na mensagem, comprovando o conhecimento na prática. Crianças que gostam de futebol, por exemplo, devem assistir a jogos internacionais narrados em inglês e adolescentes que apreciam a gastronomia podem entreter-se com um programa de TV como MasterChef, falado em inglês, para que a exposição ao idioma inglês seja proveitosa.

Para ter sucesso é preciso identificar, primeiramente, que tipo de interesse a criança ou adolescente tem para poder explorar o tema, sempre de forma muito natural. Por gostar do assunto, ao exercitá-lo em inglês, a criança associará a língua a algo prazeroso e poderá dispor de ainda mais informações e possibilidades para explorar o tema.

No caso das crianças maiores, dos pré-adolescentes e dos adolescentes, o processo pode ocorrer de forma mais tardia. Como a própria língua já está mais estruturada e pelo fato de, em paralelo, haver outra via de aprendizagem, a aquisição do inglês não será tão natural como para as crianças menores. O adolescente, ao iniciar esse processo, o desenvolve de maneira mais consciente, ou seja, por meio de uma aprendizagem mais linguística mesmo do ponto de vista de estrutura, o que leva a uma fluência mais lenta. A aprendizagem e a exposição para uma aquisição da língua mais natural e subconsciente conduzem a uma fluência extremamente maior do que a via de aprendizagem consciente. Em termos de retenção da língua no cérebro, a ciência já está provando que os armazenamentos ocorrem de forma completamente diferente nesses dois modelos.

Para alcançar o bilinguismo é preciso concentrar mais tempo de exposição à segunda língua, especialmente no caso das crianças menores, pois quanto mais novas, melhor é o aproveitamento no que diz respeito ao desenvolvimento do cérebro bilíngue. O maior tempo de exposição leva justamente à questão crucial do desenvolvimento de um cérebro bilíngue, que é a aquisição da língua de uma maneira subconsciente, de modo que ela seja armazenada e utilizada posteriormente com a fluência de um bilíngue. A criança, quando exposta à língua como ela é naturalmente falada, consegue desenvolver com amplitude a construção da sua própria linguagem. Por isso, é impensável conseguir um resultado bilíngue com pouco tempo de exposição.

Uma das maneiras mais eficazes para aumentar o tempo de exposição à língua é a utilização de recursos multimídia, que possibilitam um fácil acesso à linguagem autêntica do nativo da língua, variedade de gêneros, estilos e situações diversas, que promovem a aquisição da língua com naturalidade. Essa exposição pode ser personalizada e prazerosa, o que favorece ainda mais a absorção e a aquisição da língua. Interagir com nativos, viajar para o exterior, realizar intercâmbios, seja um curso da própria língua ou em uma área de interesse específico, ler assuntos de interesse pessoal, ouvir programas e notícias de canais internacionais, ouvir músicas, assistir a filmes, também são excelentes formas, algumas complementares, de aumentar o tempo de exposição à língua.

No caso de alunos adultos a dificuldade de alcançar a fluência esbarra em bloqueios por conta de exigências pessoais de “ter um inglês sem sotaque” e “perfeito” e às metodologias  focadas apenas na instrução da língua, que “quebram” o discurso “em pedaços”, ou mesmo às que se apegam ao ensino do vocabulário e utilizam métodos baseados em repetições. As crianças são desprovidas desse “bloqueio”, um fator adicional que facilita a aquisição da segunda língua. Por isso tudo é muito importante que as crianças sejam expostas a uma linguagem mais natural e que o ambiente e a metodologia sejam capazes de gerar oportunidades para que elas desenvolvam sua própria linguagem e fluam com seu próprio discurso.

Mestras em educação, Vanessa e Fátima Tenório são empreendedoras e desenvolvedoras do programa de educação bilíngue pioneiro no Brasil, Systemic Bilingual, que está presente em mais de 80 escolas em 18 estados brasileiros, levando educação bilíngue a mais de 16 mil alunos.

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