Guia para Gestores de Escolas

AS NOVAS GERAÇÕES CHEGAM À ESCOLA: QUEM SÃO OS ALUNOS DESSAS GERAÇÕES?

As novas gerações estão buscando, incansavelmente, uma causa, algo que lhes faça sentido, algo que lhes sirva de referência e, acreditem, elas não vão parar de tentar, nem que, para isso, elas tenham que vos adoecer!

Esses alunos e essas alunas são sujeitos humanos que, apesar de toda virtualidade e instantaneidade, buscam um lugar “ao sol” para serem olhados e escutados, além de seus aparelhos tecnológicos e de suas aparências indiferentes frente aos seus professores.

Para as novas gerações[1], o respeito aos mais velhos é uma via de mão dupla – eles respeitam desde que sejam respeitados. Esse dado interfere diretamente na sala de aula, pois os alunos irão envolver-se com as aulas não só na medida em que eles achem que determinado assunto é relevante para eles, mas também na medida em que forem bem tratados e respeitados pelos seus professores. Caso contrário, eles descartam imediatamente, se desconectam e até se revoltam.

As novas relações só terão efeitos se forem embasadas em dois pilares: AMOR e CONFIANÇA – é dessa forma que venho acompanhando o que podemos chamar de relação positiva, que acontece quando alunos acreditam na palavra dos adultos, quando eles acreditam que o que o outro fala tem credibilidade, tem verdade e tem amor ao que se faz e ao que se transfere. Outro dia, entre uma viagem e outra, fui recolhendo falas de alunos e pensando: Ah se os professores soubessem do poder afetivo que possuem! Não parece, mas o temos e muitas vezes ainda somos a única bússola que eles têm.

Nesse contexto, as novas gerações não veem mais a escola como um lugar do saber e sim como mais um “ponto de encontro” em que circulam informações e pessoas. A escola contemporânea não garante mais o “passe” para uma vida melhor, e muitas vezes para as crianças, os adolescentes e os jovens ela simboliza um atraso em suas vidas. Este é o nosso grande desafio. Como fazer com que a Escola faça algum sentido para as novas gerações?

Ao atender crianças e jovens em meu consultório, entendi que eu deveria buscar algum entendimento do mundo virtual, pois ali há uma possível interlocução para se entender as novas gerações. Quem acompanha os blogs, diários virtuais e postagens de crianças, adolescentes e jovens nas tecnologias, é capaz de reconhecer o mergulho no “vazio”, e a ilusão de um mundo que eles buscam, um mundo que os compreenda em suas angústias diárias.

E é isso que venho trabalhando junto aos professores, aquilo que parece que é, não é. Nossas crianças, adolescentes e jovens adultos estão carentes de uma CAUSA, uma causa que faça sentido em acordar todos os dias e se dirigirem para as suas escolas.

Será que nós, professores, ainda sabemos qual é a nossa causa?

As novas gerações refletem diretamente a desilusão das gerações anteriores, e não aceitam aprender conteúdos que não façam sentido para elas. Uma das características dos alunos dessas novas gerações é que o conteúdo tem que conversar diretamente com sua vida, caso contrário eles conseguem se desconectar da fala do professor ou mesmo de qualquer trabalho que exija esforço, atenção e concentração.

Aprender, para eles, é algo que deve ser prazeroso e rápido. Aprender a aprender continua sendo um dos maiores desafios, já que esse movimento acontece de dentro para fora. Eis aí um dos grandes nós na educação contemporânea, uma vez que todo trabalho intelectual exige esforço, atenção, concentração e tempo. E o grande desafio é: como conseguir que isso aconteça?

E diante de tais nós, um dos maiores desafios será: Não estamos tentando transformar o mundo, mas estamos nos permitindo ser transformados. Você está preparado para essa metamorfose?

“Se eu pudesse deixar algum presente a você,

deixaria aceso o sentimento de amar a vida dos seres humanos,

a consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo afora,

lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem,

a capacidade de escolher novos rumos.

Deixaria para você o respeito àquilo que é indispensável:

além do pão, o trabalho, além do trabalho, a ação

e, quando tudo mais faltasse, um segredo:

o de buscar no interior de si mesmo

a resposta e a força para encontrar a saída.”

(Gandhi)

[1] Considero uma geração de dez em dez anos.

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