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Guia para Gestores de Escolas

O tecer da escola: o acolhimento como fio condutor nos próximos anos de “novo normal”

“A missanga, todos a veem. Ninguém nota o fio que, em colar vistoso, vai compondo as missangas. Também assim é a voz do poeta: um fio de silêncio costurando o tempo.”O Fio das Missangas, Mia Couto (2003)

O fio que ninguém enxerga: não sei porque, lendo esse conto de Mia Couto, fiquei pensando na escola, nos professores e nos desafios em tempos de pandemia. O momento atual me provoca uma ambivalência de sentimentos – passo do amor à indignação em questão de segundos. Temos apenas uma certeza: SOMOS OS FIOS que conduzirão as novas gerações aos nossos patrimônios cultural e simbólico. O fio da escola é o que sustenta os professores e estudantes em uma relação de AFETO, esse sim é – e será – o fio condutor dos próximos anos. O tecer nos permite continuar, retornar, avançar e ponto a ponto construir um “novo” TEAR chamado Escola.

O momento atual nos exigiu desatar alguns nós. Da noite para o dia incorporamos tecnologias em nossas vidas (pessoal, familiar e profissional), costuramos o mundo real e o virtual, passamos a conviver em plataformas digitais em que passado e futuro se entrelaçam em um “NOVO NORMAL”, em um novo tempo que pede calma.

O tempo é o nosso compromisso com a função de educar: tecer palavras que marquem as memórias afetivas dos nossos estudantes, assim como eu tento marcar a de vocês ao escrever esta coluna na revista Direcional Escolas. É desse tempo que eu estou falando, é reconhecer o tempo Kairós para sentir e o tempo Chronos para conviver. E é nesse pêndulo dos tempos que vamos encontrar o nosso Fio das Missangas, conto do escritor Mia Couto que tece palavras e sentimentos que vão nos tocando em nossos afetos mais primários. Educar é Tecer esse movimento, ora no silêncio, ora na escuta, essa grande costura – chamada currículo, proposta pedagógica, acolhimento, diversidade – é o que vai compondo a “NOVA” EDUCAÇÃO.

Ponto a ponto, vamos nos acolhendo e acolhendo nossos estudantes e suas famílias, vamos nos demorando onde exige mais necessidade, e avançando onde já se pode avançar.

Sensibilizar-se não é algo comum em tempos atuais, onde um instante, uma pausa, pode mudar todo o nosso percurso traçado: isso chama-se educação. Ela acontece em todo lugar, no intervalo do tempo da espera e do tempo de avanço.

Enquanto viver, é nesse TEAR que eu desejo continuar tecendo… E você?

O acolhimento é o que costurará os próximos anos. Acolhimento e Escuta serão ferramentas essenciais para o mundo atual, onde excessos e rupturas se fazem tão presentes. O momento é de reconhecer a importância do FIO, esse fio que nos torna cada vez mais humanos, reflexivos e atentos a si e ao outro; esse fio que tece e aproxima nossas inteligências (emocional e cognitiva); esse fio invisível que vem nos sustentando e contornando os nós vividos no ano de 2020. Acreditem, nenhuma ponta ficará solta, teceremos sem cessar (professores), costurando “missangas” (estudantes) e, assim, nenhuma delas ficará de fora e invisível.

O momento é de transição: celebrar e despedir-se de costuras “envelhecidas” que não nos cabem mais. O momento é de aprender a aprender, tecer e tecer, a cada ponto, um arremate a ser experimentado e marcado nesse tecido chamado VIDA, onde estamos todos entrecruzando – o tempo, os espaços, as casas, a escola, as gerações, o currículo, as fases da infância, adolescência e vida adulta – todos entrelaçados FIO a FIO.

Desejo, a cada um de vocês, um novo ano! Um ano de muitas APRENDIZAGENS e URGÊNCIAS de uma “nova” costura que vai se despontando em outras tendências e estilos sempre sustentadas em cores vivas e texturas sensíveis.

E assim seguimoscosturando e entrelaçando MISSANGAS sustentadas por fios antes invisíveis, e hoje visíveis.

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